Que bem faria então, se eu assumisse, agora, aqui?
Com certeza não faria bem para mim, então não faz diferença.
Sem rodeios, sem fingir, simples e abertamente para todos os que quiserem saber: na verdade, a chata sou eu, a neurótica sou eu, a idiota sou eu, a irresponsável sou eu e a responsável também, por tudo desde sempre.
A culpa é minha, a paranóia é minha, a viagem é minha. Ninguem me pediu nada, e quando pediu eu fingi que não era comigo, deixei para outra hora, quando fosse mais conveniente para mim. Egoísta, sim também sou egóista.
Estou assumindo o que não consigo evitar, que não dá para melhorar. Estou vendo mais uma vez tudo acontecendo, estou sentindo chegar, só que desta vez eu tento corrigir, eu tento assumir, mas não adianta. Parece o mesmo sentimento de culpa me rasgando, tudo de novo. Por tudo o que eu não fiz, por todas as memórias que eu escolhi não ter, por todas as experiências que eu deixei de viver.
E se eu tivesse levantado as 06:00 da manhã? ao invés de virar para o lado?
E seu eu tivesse cruzado a cidade e feito a visita? ao invés de.. sei lá o que fiz.
E seu eu tivesse presenciado tudo e me despedido? ao invés de ser covarde.
Talvez eu não ficasse com todo esse peso me arrebentando, mesmo que eu tenha escolhido ignorar.
Esta tudo trancado, mas continua lá. não tem muito o que fazer. as respostas que me fariam sentir melhor eu já tenho e não ajudam. eu não quero ajuda, nunca quis.
e não posso mais ficar sozinha. não tenho mais esse direito.
Daí vem a nóia, daí vem todo o resto. Por isso eu não quero nada que me faça realmente sentir melhor. Eu não deveria conseguir me sentir melhor. Eu não deveria receber os sorrisos, beijos, abraços e gargalhadas, o olhar brilhante de felicidade só porque esta me vendo. Eu não fui capaz de fazer a minha parte quando era minha vez, pelo menos não tudo que eu podia.
Eu sempre penso primeiro em mim. Em tudo que eu não deveria ter.
Eu assumo que nada que eu faço me faz sentir melhor, menos culpada, menos traidora menos gelada. Eu queria muito pedir perdão, mas não vou ter essa chance.
Eu assumo que nunca, nada que eu posso ouvir vai me fazer sentir que estou perdoada.
Da voz que eu quero ouvir, daquela que eu nem me lembro mais do tom.
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